Você penetrou como o sol da manhã
E em nós começou uma festa pagã
Você libertou em você a infernal cortesã
E em mim despertou esse amor
Atormentado e mal de Satã
Você me deixou como o fim da manhã
E em mim começou esse angústia, esse afã
Você me plantou a paixão imortal e mal sã
Que me enraizou e será meu maldito final amanhã
E agora me aperta a aflição
De chorar louco e só de manhã
É a seta do arco da noite
Sangrando-me agora
São lágrimas, sangue, veneno
Correndo no meu coração
Formando-me dentro esse pântano de solidão
Nas paredes cartazes dizem NÃO SE REPRIMA, em letras coloridas, a brisa fresca que sobe do vale torna tudo mais agradável. Penduradas no teto as bexigas estouram, cigarros, cervejas e muita pinga nos copos, no chão, em todos os corpos. Algumas pessoas exibem um visú oitentista, muito glitter e micro saias. A iluminação é quase inexistente, impossível encontrar, muito fácil perder, a si.
O quarto com a lâmpada vermelho-útero dá o tom da festa, enquanto na vitrola o michael jackson no máximo embala os bêbados do corredor, da cozinha, dos banheiros. A certa altura, o portão da casa vai ao chão. Um maluco das sociais vai embora de ambulância, enquanto um batalhão se destaca na descida até o lago, pra dar uma nadadinha no Igapó. Ninguém dorme, alguém resolve abrir pro banho. Talvez fosse hora de chamar o resgate, talvez não.
Amanheço sobre discos de vinil, toppo giggio colado na bunda e uma sensação de que aqueles comprimidos vieram tarde demais. Fazer o que? A vaquinha pros cigarros e pão torna-se extremamente necessária, mais uma ressaca pra compartilhar.
Ele voltou com força total, mais irreverente e trash do que nunca, a casa do kitsch onde fazer sentido é o que menos importa,
contanto que se fale pelos kotovelus...
Estrela maior de Hollywood nos de 30 e 40, Bette nunca parou realmente de atuar, mesmo quando já alcançava os oitenta
anos de idade, pois segundo ela não se aposentaria enquanto tivesse suas pernas e sua caixa de maquiagem.
Essa atriz que nem sempre recebeu papéis à altura de seu talento, foi a primeira mulher a conseguir escolher os roteiros em que atuaria, e no auge de sua carreira teve os estúdios Warner em suas mãos. Entre os altos e baixos de sua extensa filmografia (seu primeiro filme data de 1931, o último de 1988), Bette Davis tornou-se musa do glamour e do horror, uma mulher que mesmo aos oitenta anos de idade ainda era capaz de impressionar, como no filme Baleias de Agosto. É por essas e outras razões que eu a amo e admiro profundamente, ao menos para mim, ela sempre será a maior.
Em algum lugar na Bósnia, um casamento. Centenas de pessoas reunidas nos quintais de uma bela mansão, esperando pelo grande momento, quando duas grandes famílias ficariam ainda maiores. Pergunto a um rapaz ao meu lado em que ano estamos, 1990, ele me assegura. Sem entender muito como fui parar ali, continuo a observar as pessoas ao me redor em busca de alguma pista. O pai da noiva e o noivo conversam animadamente, o senhor entrega ao rapaz uma grande moeda dourada. Alguém comenta que aquelas moedas foram forjadas em ouro com os brasões das famílias estampando seus lados, em comemoração à mais do que bem vinda união.
A noiva surge e todos permanecem estáticos ao som de uma grande explosão. Aplaudi fervorosamente, acreditando que seriam apenas rojões, mas eu estava tragicamente errada. Alguns segundos após o estampido, todo o cenário se transfigura em sangue e fumaça; gritos desesperados e tiros de metralhadoras pesam no ar com a mesma densidade que o cheiro de pólvora e a poeira levantada pelas explosões.
Uma eternidade se passa durante aqueles minutos de ataque intenso enquanto aos poucos, tudo vai se tornando silencioso. Acima se ouve apenas um leve ressoar dos sinos atingidos. A primeira pessoa que consigo distinguir entre a névoa é a noiva, ela percorre os corpos desesperada, tentando encontrar aquele que deveria ser seu futuro, agora mais distante, esposo.
Obrigatório, David Bowie, Catherine Deneuve, Susan Sarandon, sangue e uma trilha sonora tombante.
Escolha do final de semana. Leia mais sobre The Hunger, aqui.
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criada pela revista on-line norte-americana Premier.