"Literatura não ensina ninguém a ser feliz, não traz promessas artificiais de como se dar bem na vida. Literatura e poesia, ao contrário, trazem questionamentos, visões críticas, desconforto até, principalmente num mundo tão injusto, tão esquizofrênico, tão desconfortável." (continua)
Paulo José, ator e diretor:
"Ela é incomparável, única e inimitável. Ela contava que fez um mausoléu para ela ser enterrada em Santa Maria Madalena [cidade natal da atriz, no Rio], mas que o caixão não passaria pela entrada do lugar, muito estreita, e que teriam que derrubar a porta. Não sei se isso é verdade, mas ela contou essa história e disse que essa será a última piada dela, já depois de morta."
Você penetrou como o sol da manhã
E em nós começou uma festa pagã
Você libertou em você a infernal cortesã
E em mim despertou esse amor
Atormentado e mal de Satã
Você me deixou como o fim da manhã
E em mim começou esse angústia, esse afã
Você me plantou a paixão imortal e mal sã
Que me enraizou e será meu maldito final amanhã
E agora me aperta a aflição
De chorar louco e só de manhã
É a seta do arco da noite
Sangrando-me agora
São lágrimas, sangue, veneno
Correndo no meu coração
Formando-me dentro esse pântano de solidão
Nas paredes cartazes dizem NÃO SE REPRIMA, em letras coloridas, a brisa fresca que sobe do vale torna tudo mais agradável. Penduradas no teto as bexigas estouram, cigarros, cervejas e muita pinga nos copos, no chão, em todos os corpos. Algumas pessoas exibem um visú oitentista, muito glitter e micro saias. A iluminação é quase inexistente, impossível encontrar, muito fácil perder, a si.
O quarto com a lâmpada vermelho-útero dá o tom da festa, enquanto na vitrola o michael jackson no máximo embala os bêbados do corredor, da cozinha, dos banheiros. A certa altura, o portão da casa vai ao chão. Um maluco das sociais vai embora de ambulância, enquanto um batalhão se destaca na descida até o lago, pra dar uma nadadinha no Igapó. Ninguém dorme, alguém resolve abrir pro banho. Talvez fosse hora de chamar o resgate, talvez não.
Amanheço sobre discos de vinil, toppo giggio colado na bunda e uma sensação de que aqueles comprimidos vieram tarde demais. Fazer o que? A vaquinha pros cigarros e pão torna-se extremamente necessária, mais uma ressaca pra compartilhar.
Ele voltou com força total, mais irreverente e trash do que nunca, a casa do kitsch onde fazer sentido é o que menos importa,
contanto que se fale pelos kotovelus...
Estrela maior de Hollywood nos de 30 e 40, Bette nunca parou realmente de atuar, mesmo quando já alcançava os oitenta
anos de idade, pois segundo ela não se aposentaria enquanto tivesse suas pernas e sua caixa de maquiagem.
Essa atriz que nem sempre recebeu papéis à altura de seu talento, foi a primeira mulher a conseguir escolher os roteiros em que atuaria, e no auge de sua carreira teve os estúdios Warner em suas mãos. Entre os altos e baixos de sua extensa filmografia (seu primeiro filme data de 1931, o último de 1988), Bette Davis tornou-se musa do glamour e do horror, uma mulher que mesmo aos oitenta anos de idade ainda era capaz de impressionar, como no filme Baleias de Agosto. É por essas e outras razões que eu a amo e admiro profundamente, ao menos para mim, ela sempre será a maior.